Dois criadores filmaram o mesmo produto na terça passada.

Um vendeu imagens. A marca vai passá-las como anúncio, nos canais dela, para uma audiência que paga. O outro vendeu acesso aos próprios seguidores, e o vídeo vai viver na conta dele, visto por gente que escolheu estar ali.

Mesma câmara, mesmo produto, mesma tarde. Dois negócios completamente diferentes, e só um deles sabia.

Dois negócios, uma câmara

O vocabulário não ajuda, porque toda a gente diz conteúdo, criador e colaboração para as duas coisas, e as palavras escondem a diferença exatamente onde ela conta.

O que está mesmo a vender

Em UGC vende material. A marca leva-o e distribui-o, o seu nome pode nunca aparecer, e o valor do trabalho é a imagem em si: se é aproveitável, com que rapidez chega, como rende quando outra pessoa gasta dinheiro a empurrá-la.

Em influência vende distribuição. A marca compra a atenção de gente que o segue, e a imagem é quase acessória, razão pela qual a influência se tarifa contra uma audiência e o UGC contra uma produção.

É por isso que um criador sem audiência nenhuma pode ter um negócio de UGC completo, e por isso que uma conta com muita comunidade pode valer bastante a uma marca mesmo com vídeos vulgares. Nenhum dos dois factos é estranho quando se sabe o que está a ser comprado.

Porque é que confundi-los sai caro

De duas maneiras, e os criadores dão de caras com ambas no primeiro ano.

A primeira é o preço. Cobrar um valor de produção por um trabalho que também sai na sua conta oferece a distribuição de graça. Cobrar um valor de audiência por imagens que a marca vai simplesmente possuir faz com que o descartem, muitas vezes sem ninguém explicar porquê.

A segunda é o contrato. O trabalho de imagens envolve licença ou cessão, que decide se volta a ser pago por ele. O trabalho de audiência envolve obrigações de publicação, exclusividade e menções, que decidem o que a sua conta poderá fazer a seguir. Assinar um acordo escrito para um enquanto faz o outro é a forma de herdar as obrigações dos dois.

A perguntaSe vende imagensSe vende uma audiência
Qual é o ativo que se tarifaO vídeo, e os direitos sobre eleA atenção dos seus seguidores
O número de seguidores conta?Mal, conta o portefólioÉ a maior parte do preço
O que faz voltarem a chamá-loA fiabilidade e o prazoO desempenho da última publicação
A cláusula a ler primeiroDuração da licença, ou cessãoExclusividade e obrigações de publicar
O que devia estar a construirUm corpo de trabalho aproveitávelUm motivo para as pessoas ficarem

A última linha convém decidi-la cedo, porque as duas respostas puxam a sua semana em direções opostas. Uma premeia a produção e a regularidade, a outra premeia existir como pessoa, e fazer as duas mal é um desfecho comum e esgotante.

O pacote britânico, e para onde vai o dinheiro

As agências britânicas propõem com frequência um lote único: faça os vídeos, e publique um nos seus próprios canais.

É um pedido razoável e uma má coisa para orçamentar numa só linha, porque metade é uma transferência definitiva e a outra metade é uma semana da atenção de outra pessoa. Um número único a cobrir as duas está quase sempre mais perto do preço das imagens do que da soma, e o que fica absorvido é a publicação.

O que separar no orçamento

Divida em três linhas e deixe-os ficar com as três se quiserem.

A produção dos vídeos. A licença ou cessão desse material, com prazo se for licença. A publicação na sua conta, orçamentada à parte e com datas próprias. Ninguém se opõe a isto, e o total costuma passar sem comentários, porque quem o recebe reconhece três coisas normais em vez de um número grande.

Se levar uma só coisa deste artigo, leve essa. Custa um minuto e é o sítio mais frequente onde os criadores britânicos deixam dinheiro.

Qual construir?

Não tem de escolher para sempre, mas escolher para o ano que vem facilita as duas.

Construir um negócio de imagens é o caminho mais rápido e previsível. Não exige audiência, não exige ser interessante online, e o trabalho volta consoante os ficheiros sejam bons e cheguem a horas. O tecto também se vê melhor, porque vende horas e ofício.

Construir uma audiência é mais lento, mais arriscado e não paga durante muito tempo, e vale a pena se quiser mesmo ser uma pessoa online e não um fornecedor. O erro é escorregar para lá por acidente porque o vocabulário dava a entender que ser criador era aquilo.

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Perguntas frequentes

Posso fazer as duas coisas?

Pode, e muita gente faz. Mantenha o preço e os papéis separados, para que nenhum subsidie o outro em surdina.

As marcas importam-se com o que eu sou?

Importam-se com o que estão a comprar. Uma marca que precisa de material publicitário não precisa dos seus seguidores, e uma que quer os seus seguidores compra uma coisa que imagens melhores não substituem.

E se uma marca me pedir para publicar o vídeo que ela possui?

Então está a pedir as duas coisas, e isso vai numa linha à parte. Não é uma conversa difícil, e é muito mais fácil antes da filmagem do que depois.

Devo fazer crescer a conta para cobrar mais em UGC?

Não por essa razão. Ajuda a ser encontrado e tranquiliza um comprador de primeira viagem, mas não é aquilo sobre o que o trabalho se tarifa, e o tempo gasto nisso não é gasto no portefólio que é.