Todos os guias sobre trabalhar na Bélgica acabam na mesma frase. Não proponha as duas línguas subcontratando às escondidas aquela que não fala.
É verdade. E é também onde o conselho para, um degrau antes daquilo de que precisa mesmo, porque a alternativa a esconder um parceiro não é recusar o trabalho. É nomear o parceiro.
Três montagens, e só três
Dois criadores, um trabalho. Tudo o resto é uma variante destas.
Um de vocês é o titular
Você orça, você fatura, você assina, e o seu parceiro fatura-lhe a si. O cliente vê um fornecedor e um preço.
O mais limpo para o cliente, o mais pesado para si: carrega o desfasamento entre receber e pagar, e responde por um trabalho que não filmou.
Cada um fatura por si
Diz-se ao cliente que são dois, e ele recebe duas faturas. Ninguém carrega a tesouraria de ninguém.
O custo é o atrito. Alguns clientes não conseguem abrir um segundo fornecedor sem voltar às compras, o que na Bélgica quer muitas vezes dizer uma camada de agência cuja lista de fornecedores já está fechada para o trimestre.
Um orçamento, duas linhas, um contacto
Um só documento com os dois nomes e os dois valores, uma pessoa designada como contacto, cada um pago diretamente.
É o que serve para mais casos e o que ninguém propõe, porque exige dez minutos a mais de escrita.
| Montagem | A quem o cliente liga se correr mal | Quem carrega o buraco | Quando encaixa |
|---|---|---|---|
| Um titular | O titular, sozinho | O titular | O cliente quer um fornecedor único |
| Duas faturas separadas | Quem fez essa metade | Ninguém | Cliente direto, sem muro de compras |
| Um orçamento, duas linhas | O contacto designado | Ninguém | Quase tudo o resto |
Leia a segunda coluna antes da terceira. Saber quem recebe o telefonema zangado é o que fixa o preço de cada montagem, e é a pergunta que os criadores saltam.
Acertem estes quatro pontos antes de aceitar
Não depois da filmagem, e não por suposição.
Quem é o contacto do cliente, para que a marca nunca ouça duas datas de entrega diferentes. De quem é o quê no ficheiro final, porque um vídeo com dois autores vendido sob uma só licença é um litígio à espera de um pretexto. O que acontece se um dos dois entregar tarde, numa frase, escrita. E quando o parceiro é pago: ao pagamento do cliente, ou à entrega.
Este último ponto é o que acaba com amizades. Se é o titular e só paga ao parceiro depois de o cliente pagar, diga-o com antecedência e é uma condição comercial normal. Descobrirem isso juntos na semana seis é uma traição.
Para além da língua
A dupla é evidente para o francês e o neerlandês, e não serve só para isso.
Serve para o volume, quando um trabalho pede doze vídeos em dez dias e uma pessoa não consegue filmar aquilo. Serve para os cenários que não tem, quando o trabalho quer uma cozinha, um carro ou uma criança e o seu parceiro tem um. Serve para o equipamento, e serve para o caso simples de duas caras muito diferentes na mesma campanha, que as marcas pedem cada vez mais e que um criador sozinho não consegue fornecer de todo.
Nada disto exige fazer-se passar por uma agência. Exige uma linha honesta na proposta: somos dois, é isto que cada um faz.
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Perguntas frequentes
O cliente tem de saber que somos dois?
Tem. Não por moral, por praticidade: num mercado deste tamanho a marca vai cruzar-se com o seu parceiro mais cedo ou mais tarde, e sabê-lo tarde reclassifica todas as faturas anteriores como coisa escondida.
E se o meu parceiro não estiver registado como independente?
Então não pode faturar, e a montagem reduz-se a si a pagar alguém de forma informal, o que é problema seu e não dele. Ponha isso a confirmar por um contabilista antes do trabalho, não depois.
Podemos apresentar-nos com um só nome?
Podem apresentar um nome, mas as faturas continuam a sair de entidades realmente registadas. Um nome comum sem existência jurídica por trás cria confusão exatamente no momento em que alguém tem de ser pago.
Como dividimos quando um dos dois trouxe o cliente?
Abertamente, e de preferência como uma parte fixa de angariação, além de uma divisão igual do trabalho. Deixar isso implícito é como o segundo trabalho de uma dupla acaba por ser o último.