A sua concorrência não está em Antuérpia. Está em Lille.
O mercado francófono não para na fronteira: um briefing escrito em francês pode ir para alguém em Liège, alguém em Lille ou alguém em Paris, e o cliente muitas vezes não distingue. Só esse facto pesa mais no ano de um criador valão do que tudo o que acontece na Flandres.
O preço que vê é a referência errada
Procure em francês quanto custa o UGC e vai encontrar valores fixados por um mercado várias vezes maior do que este. Lidos por um criador valão, levam a uma de duas conclusões falsas: que se deve cobrar aquilo, e perder o trabalho local, ou que se vale muito menos, e cobrar a menos durante anos.
Não decorre nenhuma das duas. Um orçamento é fixado pela empresa que o tem, e uma empresa belga de um dado tamanho tem um orçamento belga, pague o que pagar uma agência francesa. Ancore-se no cliente que tem à frente, não nos números mais barulhentos da sua língua.
Onde a fronteira o serve mesmo
Funciona também no outro sentido, e quase ninguém o usa. Pode servir clientes franceses na sua própria língua sem agência pelo meio, e está no mercado único, por isso a parte administrativa é corrente e não exótica. Um criador de Namur pode aceitar trabalho em Lille e em Paris e continuar a ser a opção local de um cliente de Charleroi.
O que muda a dispersão
| Distância ao cliente | O que se fatura | O que se organiza |
|---|---|---|
| Menos de 30 km | Incluído na tarifa | Um encontro |
| 30 a 80 km | Suplemento por quilómetro | Dois clientes no mesmo dia |
| Mais de 80 km | Meio dia de deslocação | Uma ronda de dois dias |
O que se diz logo na primeira troca
O raio coberto, o suplemento para além dele, e a disponibilidade para uma rodagem de manhã cedo.
O que faz ganhar um dia
Juntar duas empresas da mesma zona, filmar o exterior antes da abertura, preparar a luz na véspera.
Os dois compradores a quem quase ninguém escreve
As marcas de grande consumo são aquelas a quem todos os criadores escrevem, e por isso as mais disputadas. As duas categorias com menos concorrência são as que não se parecem nada com clientes de conteúdo.
A indústria
A Valónia tem fabricantes, produtores alimentares e empresas técnicas que precisam de explicar alguma coisa a um cliente que é outra empresa. Raramente pensam em conteúdo de criador, têm orçamentos a sério, e são extremamente fiéis assim que alguém percebe o produto deles.
O comprador público
Agências regionais, postos de turismo, federações e organismos intermunicipais encomendam muita comunicação. Pagam de forma fiável, pensam em campanhas e não em vídeos soltos, e quase nunca são abordados por criadores individuais.
| O comprador | O que compra mesmo | O que mata a sua proposta |
|---|---|---|
| Fabricante industrial | Uma explicação que a equipa comercial possa enviar | Tratar o produto dele como adereço de lifestyle |
| Produtor alimentar | Prova de origem e de processo | Conteúdo de receita genérico que qualquer um filmava |
| Posto de turismo ou agência regional | Material que aguente uma época | Um vídeo solto sem plano à volta |
| Federação ou organismo intermunicipal | Algo que os membros vão mesmo usar | Ignorar que respondem perante um conselho |
| Marca de grande consumo | Volume e fiabilidade | Nada de especial, mas já lá está toda a gente |
A última linha não é um aviso contra as marcas de grande consumo. É um lembrete: é a única coluna onde enfrenta toda a gente.



