O erro mais espalhado sobre este mercado não é o preço. É uma convicção: a de que o vídeo de criador pertence ao comércio eletrónico de beleza e moda, e que uma adega cooperativa ou uma empresa de software não têm nada a ver com aquilo.

É essa convicção que faz com que meia economia portuguesa nunca encomende um vídeo, e é também por isso que as que encomendam quase não disputam atenção com ninguém.

O que as empresas portuguesas julgam estar a comprar

Pergunte a uma marca pequena daqui o que é UGC e vai geralmente receber a descrição de uma publicação de influenciador. Imaginam alcance, seguidores, uma personalidade. O que precisam mesmo é de um ficheiro que lhes pertence, na língua deles, a mostrar o produto a funcionar numa cozinha ou num escritório português.

São duas compras diferentes, e a confusão custa-lhes duas vezes. Ou pagam a mais por uma audiência que não conseguem reaproveitar, ou põem a categoria de lado porque o produto "não é suficientemente visual".

Os três gatilhos

Uma empresa quase nunca acorda a querer vídeo de criador. Alguma coisa concreta empurra-a, e só há três que valha a pena planear.

A primeira campanha paga

Assim que uma empresa gasta em publicidade, descobre que um vídeo se gasta em dias. É aí que o volume criativo deixa de ser uma boa ideia e passa a ser uma necessidade operacional. As marcas que nunca anunciam raramente sentem isto.

O primeiro mercado de exportação

Um produtor português que vende para Espanha, França ou Alemanha precisa de repente do mesmo produto filmado para um público que não partilha as suas referências. A exportação é o gatilho mais fiável deste país, e o que os criadores menos trabalham.

A vaga que ninguém consegue preencher

Uma fábrica, um operador logístico ou uma clínica que não consegue contratar paga vídeo antes de pagar publicidade. Não é despesa de marketing, é despesa de contratação, e sai de outro orçamento, com muito menos escrutínio.

Onde está mesmo a procura

Tipo de empresaO que a faz finalmente comprar
Comércio eletrónico que expede pela EuropaDesgaste publicitário: o vídeo que funcionava deixou de funcionar
Alimentação, vinho e conservasUm comprador de exportação a pedir material noutra língua
Turismo e alojamentoUma época cheia tarde demais, e a decisão de comunicar mais cedo
Retalho e modaDevoluções por causa do tamanho, que o vídeo reduz de forma mensurável
Tecnologia em Lisboa e no PortoUm lugar aberto há meses que só o salário não vai preencher
Clínicas e serviços locaisUm concorrente da mesma rua que começou primeiro

Releia a coluna da direita. Nenhum destes gatilhos é "queríamos conteúdos mais bonitos". Todos são um problema com um custo associado, e esse é o único argumento que abre um orçamento cá.

Quem ainda não compra, e devia

Fornecedores industriais, cooperativas agrícolas e tudo o que se vende de empresa para empresa. Têm orçamentos a sério, uma necessidade genuína de explicar o que fazem e quase nenhum criador a propor-lhes seja o que for, porque a categoria parece pouco apelativa.

É de longe a parte menos concorrida deste mercado. Um criador capaz de filmar um processo com limpeza e de falar dele sem inventar afirmações técnicas não será comparado com ninguém, por não haver com quem.

Como abordá-los

Entre pelo gatilho, não pelo serviço. "Faço vídeos UGC" não quer dizer nada para um diretor de cooperativa. "No próximo ano vendem para França e o vosso material só existe em português" quer dizer alguma coisa de imediato.

E nomeie a entrega nos termos deles: um vídeo que responde à pergunta que os clientes repetem, uma versão legendada para o mercado de exportação, uma peça que um encarregado possa mostrar a candidatos. A palavra UGC pode ficar totalmente fora da primeira mensagem.

O que isto significa para uma marca que esteja a ler

Se reconhece um dos três gatilhos na sua própria empresa, já vai tarde, no bom sentido: a necessidade existe e a oferta cá é fina, por isso os criadores que valem a pena estão disponíveis hoje e vão estar ocupados quando os seus concorrentes perceberem.

Comece por um produto e três vídeos em vez de uma campanha. Custa pouco, diz-lhe que mensagem mexe com o seu comprador e dá-lhe um ponto de comparação para a próxima vez.

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Perguntas frequentes

O vídeo de criador é só para comércio eletrónico?

Não. Em Portugal os compradores pior servidos são industriais, agrícolas e de empresa para empresa.

O que faz uma empresa comprar finalmente?

Desgaste publicitário, um mercado de exportação, ou uma vaga que não consegue preencher.

É preciso um criador com muita audiência?

Para UGC, não. Está a comprar um ficheiro e o direito de o usar, não alcance.

Onde deve ir um primeiro orçamento?

Um produto, três vídeos, e depois compara-se. Uma campanha antes de conhecer a mensagem desperdiça as duas coisas.