A maior parte do trabalho de criador tem uma saída limpa. Se uma marca se porta mal, acaba o trabalho, fatura, e nunca mais lhe responde.

O trabalho universitário muitas vezes não. Se é estudante e filma para a sua própria instituição, o cliente corrige os seus trabalhos, atribui o seu alojamento e, nalguns casos, patrocina o seu visto. É o único vertical em que ir embora tem um custo que nada tem a ver com o cachet.

Não é razão para o evitar. É razão para deixar mais coisas por escrito do que com uma marca de refrigerantes.

O que essa posição muda mesmo

Duas coisas, e nenhuma tem a ver com filmar.

Discordar custa mais do que o cachet

A primeira é que discordar sai caro, por isso decida com antecedência o que não vai fazer, em vez de o descobrir com um funcionário ao lado.

A sua cara sobrevive à sua matrícula

A segunda é que a sua cara passa a ser um ativo da instituição enquanto está matriculado, o que é normal, e continua a sê-lo depois de se formar se ninguém escreveu uma data de fim.

Peça essa data. Um vídeo de captação serve durante anos, e alguém que saiu em 2027 continua a dar as boas-vindas aos candidatos em 2031 se ninguém limitou a licença. Os criadores contratados de fora costumam perguntar; os estudantes quase nunca, porque não parece uma negociação.

Os quatro momentos, que não são intermutáveis

Este setor funciona num calendário que se repete igual, e um conteúdo pensado para o momento errado rende pouco por razões que ninguém diagnostica.

Momento do anoQuem está a verO que o vídeo tem de fazer
Escolher onde se candidatarGente ainda sem listaTornar o sítio real, não classificado
Esperar por uma respostaGente já interessadaResponder a perguntas concretas e chatas
Resultados e última horaGente ansiosa a decidir depressaSer encontrável e tranquilizadora, já
Semana de chegadaGente já comprometidaReduzir o medo, mostrar a logística

A terceira linha é a que vale a pena procurar, porque acontece sob pressão de tempo e as instituições sabem que lhes falta material. É também a linha onde nada de aspiracional funciona: quem decide em quarenta e oito horas quer saber do alojamento, da viagem, e se alguém o vai esperar à estação.

O conteúdo de chegada é a oportunidade silenciosa, pela mesma razão. Não é glamoroso, ninguém se oferece para o fazer, e é visto com mais atenção do que qualquer visita ao campus.

O que nunca promete

Tudo o que toca a admissão, vistos, financiamento ou àquilo a que um curso leva pertence à instituição e aos serviços de conformidade e internacional dela.

Pode dizer como é a sua semana, a que cheira o edifício, quanto tempo demora a pé. Não pode dizer que um curso leva a um emprego, que uma via de visto ainda existirá, ou que uma candidatura tem boas hipóteses. Se um briefing lho pedir, devolva-o e peça a formulação aprovada, por escrito, ao serviço que a detém.

Não é prudência por gosto. Futuros estudantes agem com base neste material, por vezes mudando de país, e uma frase que se revela falsa cai em cima de uma pessoa real.

Ser pago como deve ser

Os programas de embaixadores pagam muitas vezes a uma tarifa interna fixa que nada tem a ver com trabalho de produção, e isso é razoável para turnos num dia aberto.

Filmar, montar e aparecer numa campanha é outro ofício. Diga-o, orçamente à parte, e aceite a tarifa de embaixador só para tarefas de embaixador. As instituições conhecem esta distinção, porque compram vídeo a agências constantemente; apenas não esperam que seja um estudante a levantá-la.

Se for contratado de fora

Orçamente o calendário e não a peça. Uma universidade que precisa de material em quatro momentos fixos é um cliente recorrente, e faturar um ano passa melhor no processo orçamental dela do que quatro aprovações soltas.

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Perguntas frequentes

Posso dizer alguma coisa crítica sobre a minha própria universidade?

Não no conteúdo pago dela, e isso vale para qualquer cliente. Guarde as suas opiniões para a sua conta pessoal, sabendo que a instituição as pode ver na mesma.

Durante quanto tempo podem usar um vídeo meu?

Exatamente o tempo combinado, e é por isso que aqui a data de fim conta mais do que o cachet. Peça um prazo e um ponto de revisão em vez de uma licença aberta.

Preciso de autorização para filmar outros estudantes?

Preciso, e a instituição tem um procedimento. Nunca confie num acordo verbal num corredor, porque o vídeo vai rodar anos e eles não sabiam disso.

Vale a pena abordar universidades como criador externo?

É um dos compradores menos disputados do país. Dirija-se à equipa de captação ou de marketing bastante antes do momento do calendário que quer servir, não durante.