Belga.

Lá fora, essa única palavra trabalha para si sem que alguma vez a tenha pago. Chega antes do produto carregada de artesanato, seriedade e pequena escala, e nada disso saiu do seu orçamento de marketing.

Na Bélgica a mesma palavra não quer dizer nada. Todos os concorrentes do linear também são belgas. É o bilhete de entrada e não um argumento, e uma campanha nacional construída sobre isso está construída sobre a única coisa que não o distingue de ninguém.

Lá fora é capital gratuito

Para o chocolate, a cerveja, a alimentação e boa parte do fabrico artesanal, o nome do país carrega associações que não construiu e que não perde com facilidade.

O que carrega mesmo

Não exatamente luxo, e não tradição no sentido cerimonioso. Antes: feito por gente que o levou a sério e não o cresceu para além do que conseguia vigiar.

É uma promessa concreta, e é verificável em conteúdo. Um espectador estrangeiro que ouviu a palavra e depois vê a oficina, as mãos e o edifício vulgar está a ver a associação confirmada e não afirmada. Essa confirmação é todo o trabalho de um vídeo de exportação.

Diga a palavra uma vez, e passe o resto do tempo a merecê-la.

Em casa é o bilhete de entrada

Um comprador belga à frente de seis produtos belgas precisa de uma razão que não seja o país.

O que tem de trabalhar em vez disso

A pessoa. A rua. O apelido e há quanto tempo está na porta. A decisão concreta que alguém tomou e o concorrente não.

Nestas categorias, o conteúdo doméstico é uma história a uma escala menor do que a nação. É uma oficina e não um país, e resulta exatamente na medida em que a marca do lado não a conseguiria contar.

É um briefing mais difícil e melhor, e produz material inútil lá fora, o que é o resultado certo e não uma falha.

O argumentoLá foraEm casa
Feito na BélgicaFaz quase todo o trabalhoNão diz nada, toda a gente é
Um apelido no edifícioDá crédito a uma promessa já acreditadaÉ a promessa, e pede o detalhe por trás
O processo, filmado devagarConfirma o que o nome do país prometiaDistingue-o de seis vizinhos
O preço e o valorSecundários, a associação sustentaPrimordiais, porque a associação é partilhada
Uma pessoa a falar a sua línguaEssencial, é o que prova que é realEssencial, e tem de ser a certa das duas

A última linha apanha as marcas que resolveram primeiro a exportação. Lá fora, em que língua belga filmou quase não conta. Em casa, decide a quem se dirige.

Quem escalar para a versão de exportação

Noutro sítio defendemos que se faz casting no mercado a que se vende, porque o reconhecimento é local. O conteúdo de origem é a exceção, e vale mais perceber porquê do que tomá-lo por uma contradição.

O belga prova

Alguém filmado na oficina, na Bélgica, a falar a própria língua, faz algo que um criador local não consegue fisicamente fazer. É uma prova. O espectador estrangeiro não precisa de o reconhecer, porque o papel dele não é ser próximo, é estar lá.

O local autoriza

Essa prova precisa ainda de alguém do mercado de destino que a pegue e diga, com o sotaque dele, que comprou e valeu a pena. É esse o vídeo que converte, e não se pode filmar na Bélgica.

A resposta honesta são portanto duas peças com dois papéis, feitas por essa ordem. A prova primeiro, porque a autorização não vale nada sem ela, e as marcas que só fazem a segunda acabam a soar como qualquer outro importador.

Os dois sentidos proibidos ao seu conteúdo

Os dois erros são o mesmo, cometidos em sentido inverso, e um sai muito mais caro.

Exportar o conteúdo doméstico é o erro perdoável. Assenta numa diferença face a concorrentes de quem o público estrangeiro nunca ouviu falar, por isso aterra como um vídeo simpático sobre uma empresa, e nada nele está errado a não ser que o argumento é invisível.

Importar o conteúdo de exportação é o erro que estraga. Um belga que vê uma marca explicar o artesanato belga a belgas não recebe uma mensagem, está a ver algo feito para turistas e mostrado a ele por acidente. Lê-se como uma empresa que se esqueceu de onde está, e essa impressão custa a inverter.

Se tem uma biblioteca e dois mercados, o sentido seguro é fazer primeiro a versão doméstica e deixar a de exportação pedir-lhe emprestado. O concreto generaliza-se em promessa muito mais facilmente do que uma promessa geral se torna concreta depois.

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Perguntas frequentes

Podemos usar o mesmo vídeo em casa e lá fora?

Raramente, e a razão não é a língua. Lá fora é o país que convence, em casa não convence ninguém, por isso os dois vídeos defendem causas diferentes.

Vale a pena dizer «feito na Bélgica» na Bélgica?

Como facto numa embalagem, sim. Como argumento num vídeo, não. Todos os concorrentes o podem dizer, por isso não afasta ninguém.

Que versão fazer primeiro?

A doméstica. Uma história concreta generaliza-se para exportação, ao passo que uma promessa geral não se torna concreta depois de existir.

Isto vale fora do chocolate e da cerveja?

Para qualquer categoria em que o nome do país já carregue uma reputação que não construiu, o que inclui boa parte da alimentação, das bebidas e do fabrico artesanal belgas.