Tudo o que se escreve sobre UGC pressupõe que o produto pode ser enviado a quem vê. O vosso não, e isso inverte quase todas as regras.

O alcance é um custo, não um benefício

A zona de influência é toda a estratégia

Um restaurante não pode enviar o produto dele: quem vê tem de se deslocar. Qualquer visualização vinda de alguém que nunca virá é portanto uma despesa sem retorno, e além disso falseia as estatísticas. Um vídeo visto cem mil vezes em todo o país vale menos do que um vídeo visto três mil vezes num raio de quinze minutos. É exatamente o inverso do que recomenda a maioria dos conselhos sobre este formato.

O que isso muda na escolha do criador

Não procura a pessoa mais talentosa, procura aquela cuja audiência e cenário são locais. Um criador da cidade vizinha vale mais do que um nacional, porque o sotaque, as referências e os lugares dele são reconhecidos. E se difundir em publicidade paga, a zona geográfica faz mais pelo resultado do que o próprio conteúdo.

O que um vídeo de estabelecimento tem mesmo de responder

Os três receios

O primeiro é o da soleira: não saber como se entra, tratado acima. O segundo é o da inadequação: vir com crianças, uma cadeira de rodas, um grupo, um regime alimentar particular, e descobrir que não era o sítio. O terceiro é o do preço: não saber quanto se vai pagar antes de estar sentado. Um vídeo que trata esses três receios enche mesas; um vídeo que mostra pratos bonitos é ultrapassado com o dedo.

A porta e o primeiro minuto

Seis planos a filmar por esta ordem, numa só sequência.

A rua, com um ponto reconhecível por quem vive no bairro.

A fachada e os horários afixados.

A entrada, filmada a andar, sem corte.

A primeira pessoa que recebe, e o que diz.

A sala vista da entrada, à altura dos olhos.

E a mesa onde nos instalamos, com o que já lá está.

O que ninguém filma

Sete planos ausentes de quase todos os vídeos, e no entanto decisivos.

As casas de banho, argumento silencioso e considerável.

O acesso em cadeira de rodas ou com um carrinho.

O estacionamento, a paragem mais próxima ou o local para bicicletas.

A ementa afixada, com os preços legíveis.

A esplanada com mau tempo, e não só ao sol.

O serviço de almoço em dia útil, quando a sala está cheia e apressada.

E o momento do pagamento, que tranquiliza quanto ao total e aos meios aceites.

As duas línguas, e o que isso custa

Seis regras para um estabelecimento belga.

Duas versões separadas valem mais do que uma versão bilingue, que não chega bem a ninguém.

A língua escolhe-se pela clientela real, não pelo município.

A mesma série de planos pode levar duas vozes diferentes, o que divide o custo por dois.

Os preços e as menções no ecrã têm de estar certos em cada versão.

O pessoal filmado tem de estar à vontade na língua usada, sem exceção.

E uma terceira versão em inglês justifica-se apenas se os turistas representarem uma parte real da clientela.

O calendário de um estabelecimento

Seis momentos a cobrir no ano, decididos de antemão.

A esplanada, filmada no verão anterior para ser difundida na primavera.

As festas de fim de ano, filmadas em novembro o mais tardar.

A ementa de estação, duas semanas antes do lançamento dela.

Os períodos fracos, em que o conteúdo deve encher em vez de embelezar.

Os encerramentos e as mudanças de horário, a informação mais vista de todas.

E a chegada de um prato novo, que dá uma razão para publicar sem inventar um acontecimento.

Escolher o criador, e como lhe pagar

Sete pontos específicos deste setor.

Privilegiar quem vive ou trabalha na zona.

Verificar que frequenta mesmo este tipo de estabelecimento.

Pagar em dinheiro em vez de em refeições, salvo acordo explícito e escrito.

Precisar se a ida foi oferecida, e assinalá-lo no vídeo na forma exigida.

Fixar o número de pratos filmados e os horários da rodagem, fora do serviço se possível.

Prever o acordo escrito do pessoal visível na imagem.

E comprar os direitos por uma duração longa, já que as imagens de um lugar envelhecem menos depressa do que as de um produto.

O que se filma num estabelecimento

SequênciaO bom momentoDuração
A sala vazia e postaAntes da abertura10 s
O gesto na cozinhaDurante a preparação15 s
O prato ou o copo servidoÀ saída do passe10 s

O que se combina com o gerente antes de ir

A janela exata, as zonas autorizadas, o acordo do pessoal filmado, e o que fazer se entrarem clientes. Uma filmagem em pleno serviço vê-se na imagem e incomoda toda a gente.

O que nunca se põe no vídeo

Um preço, um horário, uma nota de avaliação ou uma disponibilidade. Estes quatro elementos mudam, e um vídeo de estabelecimento tem de continuar utilizável pelo menos uma época inteira.

O que se verifica antes de publicar

Cinco pontos a controlar, vários deles junto da autoridade competente.

Os preços mostrados no ecrã, que devem corresponder à ementa do dia da difusão.

As menções relativas aos alergénios, que nunca se improvisam num vídeo.

As alegações sobre a origem dos produtos, a formular com prudência.

As regras aplicáveis à promoção de bebidas alcoólicas, que se verificam.

E o acordo das pessoas reconhecíveis na sala, clientes incluídos.

Uma última referência: na Bélgica, um estabelecimento não precisa de ser visto por muita gente, precisa de ser visto por quem lá pode ir a pé ou em quinze minutos. Filme a porta, responda aos três receios, e difunda num raio reduzido: é a única estratégia em que um alcance pequeno vale mais do que um grande.