Abra as suas encomendas e ordene por país.

Na maioria das marcas portuguesas de comércio eletrónico passado o primeiro ano, a primeira linha não é Portugal. É Espanha, ou França, ou o Brasil, e muitas vezes o mercado interno aparece em terceiro ou quarto. Esse ecrã devia decidir mais sobre o seu conteúdo do que qualquer tendência, e na maior parte das empresas não decide nada, porque ninguém se lembra de o ver antes de escrever um briefing.

Cada vídeo precisa de um destino

A pergunta não é o que filmamos. É para quem, geograficamente, e a resposta tem de ser um só sítio.

O vídeo que serve três mercados não serve nenhum

Uma marca com clientes em três países produz um vídeo que não menciona nenhum, adota um sotaque neutro, evita nomear um preço e mostra uma caixa sem morada em cima. Não incomoda ninguém e não convence ninguém, porque tudo o que teria convencido alguém em concreto foi lixado para não excluir ninguém.

Escolha o mercado primeiro. O sotaque, as referências, a forma de apresentar o preço e a promessa de entrega vêm atrás, e o vídeo funciona bem para um público em vez de vagamente para três.

Faça o casting no mercado, não no escritório

O atalho mais comum é pedir a um criador português que grave em espanhol porque o fala bem. Sai mais barato, sai mais rápido, e os espectadores espanhóis notam.

O que os ouvintes ouvem mesmo

Não um erro, em geral. Ouvem alguém fluente e vindo de outro sítio, o que é ótimo e não é a mesma coisa que uma pessoa a recomendar algo aos próprios vizinhos. O UGC compra-se pelo pertencer, e o pertencer é justamente a propriedade que não sobrevive a ser representada.

O mesmo vale ao contrário para o Brasil, e aí a distância é maior do que a maioria das marcas portuguesas imagina: o vocabulário, o ritmo e as referências do dia a dia diferem o suficiente para o português europeu soar estrangeiro em vez de familiar.

Se um mercado importa o suficiente para lhe vender, importa o suficiente para nele fazer casting.

A distância muda o que o conteúdo tem de dizer

Vender de Portugal para Espanha ou França é corrente. Mesmo mercado, envio normal, um cliente cujas expectativas consegue cumprir sem dizer nada de especial.

Vender para o Brasil é outra operação. Os direitos de importação e os prazos longos são reais, e são eles que transformam uma encomenda promissora num cancelamento ou numa reclamação.

O desejo sem expectativa é uma encomenda cancelada

O conteúdo dirigido a um mercado distante tem uma segunda tarefa além de tornar o produto desejável: deixar o espectador com uma imagem correta do que acontece depois de carregar em comprar.

Não é um aviso no fim. É uma frase dentro do vídeo, dita pelo criador, em tom de informação útil e não de cobertura legal. Custa-lhe uns segundos de visionamento e retira-lhe os clientes que iam cancelar de qualquer forma, o que é o reembolso mais barato que nunca vai processar.

O mercadoO que o conteúdo tem de levarO que mata a encomenda
PortugalProva local, um sítio real, um nome que se reconheceSoar a marca internacional traduzida
EspanhaUm criador espanhol, referências espanholas, preço espanholUma voz portuguesa a ler espanhol
FrançaUm criador francês e uma promessa de entrega francesaAssumir que a proximidade é familiaridade
BrasilPortuguês do Brasil e uma imagem honesta da importação e do prazoPortuguês europeu, e silêncio sobre a chegada
Resto da União EuropeiaInglês ou a língua local, e um caminho de devolução claroTratar a União inteira como um só público

A última linha é onde se perde mais dinheiro, porque parece uma eficiência e comporta-se como uma fuga.

Por onde começar com um só orçamento

Escolha o mercado onde já tem encomendas e não tem conteúdo, não aquele que gostaria de ter. Está a comprar prova, não ambição, e o mercado que já compra sem ajuda é o que tem mais hipóteses de responder a alguma.

Faça depois três vídeos só para esse mercado antes de fazer um para outro lado. Três peças dirigidas a um único público dizem-lhe mais do que nove espalhadas, e dizem-lho mais depressa.

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Perguntas frequentes

Um vídeo pode servir Portugal e o Brasil?

Raramente, e não pela razão que a maioria das marcas supõe. Não é sobre ser compreendido, é sobre soar como vindo de onde vive quem está a ver. Faça casting em separado.

Devemos filmar em inglês para cobrir tudo?

Só onde o inglês for mesmo a língua de uso local. No resto lê-se como uma marca a falar a um mercado e não como uma pessoa a falar a um vizinho.

O que deve o conteúdo dizer sobre entregas em mercados distantes?

O suficiente para deixar uma expectativa correta. Uma frase honesta do criador sobre a chegada e sobre eventuais custos de importação evita os cancelamentos e reclamações que o silêncio produz.

Para que mercado fazer conteúdo primeiro?

Para o que já gera encomendas sem conteúdo nenhum. É a prova mais barata de que a atenção ali converte, e tira o palpite da segunda decisão.