Os portugueses no estrangeiro não são um mercado, e a metade que tem o cartão bancário não é aquela a quem a sua campanha nostálgica se dirige.

A quem fala realmente

Quatro públicos distintos, muitas vezes confundidos num só.

As pessoas que partiram em adultas, que compram produtos precisos e conhecem as marcas.

Os seus filhos nascidos noutro lado, que compram de outra maneira e por outras razões.

As famílias mistas, onde a decisão de compra se toma a dois e nem sempre na mesma língua.

E as pessoas que voltam com regularidade, cujo comportamento de compra se parece mais com o do mercado interno.

A primeira geração e a segunda são dois mercados

Cinco diferenças, todas visíveis nos dados de compra.

A primeira procura marcas pelo nome, a segunda procura categorias.

A primeira compra para reencontrar um sabor preciso, a segunda para transmitir alguma coisa.

A primeira lê português sem esforço, a segunda lê mais depressa na língua do país onde vive.

A primeira tolera um prazo de entrega longo, a segunda compara-o com os padrões locais.

E a primeira conhece os códigos implícitos, a segunda precisa que lhos expliquem sem condescendência.

O que a segunda geração compra realmente

Quatro motivos de compra concretos.

O que se partilha: produtos destinados a uma refeição, uma festa, uma visita.

O que se explica: um produto que se quer dar a conhecer a alguém que não tem essa referência.

O que se transmite aos filhos, categoria muito forte e raramente tratada.

E o que substitui um equivalente local considerado inferior, motivo puramente racional.

O que muda uma audiência repartida por vários países

O que se adaptaPorquêComo
A língua da vozDuas variantes do portuguêsDuas tomadas, uma só filmagem
As referências culturaisNão falam ao mesmo públicoFicar no produto
As menções legaisVariam consoante o país de difusãoAcrescentá-las na grafismo

O que se filma uma vez e serve em todo o lado

O produto, o gesto e a demonstração. O que muda depois é a voz e o texto no ecrã, não a imagem.

O que nunca se supõe

Que uma regra publicitária válida num país valha no outro. As obrigações de menção e as alegações autorizadas confirmam-se país a país com um jurista.

O que isso muda no briefing

Sete decisões a escrever preto no branco.

O público visado, distinguindo as gerações, porque nenhum vídeo fala às duas.

A língua do vídeo, com a variante e o registo, e o eventual uso das duas línguas dentro de uma mesma cena familiar.

O criador: alguém saído do mesmo percurso, não alguém do país de origem a falar a partir do país de origem.

As referências aceitáveis, e sobretudo as que se devem evitar: os clichés regionais e os símbolos nacionais mal usados são vistos como folclore vendido.

As informações práticas obrigatórias: expedição, prazos, zonas servidas, encargos eventuais.

A menção publicitária, cuja formulação depende do país de difusão e se verifica com um jurista.

E o tom: sóbrio, factual, sem nostalgia carregada, porque a nostalgia pertence ao público e não à marca.

Uma última referência: essas pessoas não precisam que lhes recordem de onde vêm, sabem-no. Precisam de saber se a encomenda chega antes de domingo, se o produto é o mesmo que o de lá, e se alguém responde em caso de problema. Um vídeo que responde a essas três perguntas ganha a todas as campanhas de ambiente do ano.