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Dicas, guias e histórias sobre UGC e marketing de criadores.

Um mau cliente não custa dinheiro, custa o ano
Os sinais chegam todos nas três primeiras mensagens, antes de se combinar seja o que for. Lê-los são os dez minutos mais rentáveis deste ofício.

Coimbra anda com dois relógios que nunca coincidem
Um terço do público é substituído todos os setembros, e o outro grande comprador trabalha com aprovações medidas em semanas. Planear um ano aqui é escolher.

O seu comprador é um departamento de compras noutro país
Ninguém compra por impulso na exportação industrial. O vídeo que resulta não é o que vende, é o que um comercial consegue reencaminhar.

O Alentejo mede-se em horas de estrada, não em quilómetros
Aqui um cliente enche um dia. Só esse facto muda o que se vende: não um vídeo, um dia, e a luz aperta as horas de que dispõe.

A quarenta minutos de Lisboa, e espremido dos dois lados
Estar perto da capital parece uma vantagem. Na prática um pede desconto porque não está lá, e o outro acha as suas tabelas demasiado lisboetas.

Um residente compra cinquenta vezes, um turista compra uma
Boa parte da despesa cá vem de gente que mora em Cascais e não fala português. Quase todo o conteúdo local aponta ao outro grupo.

Gaia é a vista que toda a gente filma
O postal do Porto tira-se deste lado do rio. Viver cá é ser dono da imagem que a cidade inteira quer, num sítio que ninguém nomeia.

Braga, onde o espectador que interessa é um candidato
O dinheiro aqui não está nas marcas de consumo. Está em empresas que vendem a outras empresas e que recrutam, e isso muda quase tudo.

Aveiro fotografa como um postal e paga como uma fábrica
Os canais são o que qualquer objetiva encontra primeiro. Os orçamentos estão na cerâmica, nos moldes e na eletrónica, e os dois não se cruzam.

A distância só atrapalha as filmagens que precisam de um sítio
Quase todo o trabalho de criador precisa de uma mesa, uma janela e um produto. Isso existe em todo o lado, e o que muda mesmo é mais curto do que se pensa.

Mostre demais e substituiu a visita
Museus, visitas e monumentos vendem descoberta. Cada plano que revela torna o bilhete menos necessário, e ninguém planeia isso.

O seu comprador ainda não está no país
Escolas de línguas e serviços de instalação filmam para quem está a decidir se vem. Isso inverte o trabalho do vídeo, e quase ninguém o ajusta.

Uma sala cheia de clientes não é um cenário
Filmar num café, numa loja ou num restaurante enquanto está aberto tem três regras, e nenhuma é sobre a câmara.

Dois clientes num dia, e o risco não é o cansaço
O perigo de encadear filmagens é os dois vídeos parecerem-se. Mesma peça de cima, mesma parede, mesma luz, e duas marcas rivais reconhecem-se.

Os seus direitos de utilização cobrem o vídeo, não as pessoas nele
As condições de entrega habituais fazem prometer que tinha todas as autorizações. Quase ninguém lê essa frase, e é a que morde.

Ninguém compra uma secretária, compra-se um dia
Um coworking concorre com um café e com a mesa da cozinha. Fotografias de secretárias bonitas perdem essa luta, e três perguntas nunca filmadas decidem-na.

O único espectador que conta está a quinze minutos a pé
Um vídeo de restaurante visto cinquenta mil vezes longe vale menos do que um visto trezentas vezes ao lado. Isso muda tudo o que há para filmar.

Quando a matéria é o argumento, o vídeo substitui a mão
Cortiça, cerâmica e azulejo compram-se ao toque. Online ninguém toca, e isso muda o que a câmara tem de gravar e quem a deve segurar.

Não é preciso saber surfar para filmar marcas de surf
Ericeira, Peniche e Nazaré sustentam negócios a sério que compram vídeo. Estão cheios de imagens de ondas e falta-lhes o que vende mesmo.

O único setor em que um bom vídeo pode fazer mal a alguém
As clínicas privadas compram muito vídeo em Portugal, boa parte para pacientes estrangeiros. Quase todos os briefings partem do resultado, e é aí o erro.

A Ibéria é um mercado logístico e dois mercados de conteúdo
As marcas espanholas atravessam a fronteira todas as semanas e tratam Portugal como uma região. O plano viaja, o conteúdo não, e os números dizem-no.

A língua não é uma competência que se tem, é uma entrega que se orçamenta
Um criador português recebe quatro pedidos de língua diferentes e trata-os como um só. É por isso que tantas entregas voltam inúteis.

A data de filmagem é o dia em que a caixa está nas suas mãos
Metade dos atrasos deste ofício não são problemas de filmagem. O produto não tinha chegado, e ninguém tinha dito o que isso implicava.

Feito em Portugal fala de uma sala que o comprador nunca vai ver
Sapatos e roupa saem do Norte para compradores que nunca verão a fábrica. O vídeo que sustenta a etiqueta não é o que se costuma encomendar.